Superação: Diário de uma mãe de UTI Neonatal

Olá famílias,

Hoje é dia de ler mais um relato de uma mãe que superou algo. Essa seção é muito importante para a vivência de uma família ajude outras que estão passando pela mesma situação e podem perceber que há uma saída.

Com vocês o relato emocionante da mamãe Luciana que teve o João Paulo há um ano e agora se sentiu preparada para dividir conosco sua experiência e suas angústias de uma mãe que teve um parto prematuro e um bebê internado na UTI Neonatal.

Desde já, agradeço a Luciana e família por compartilhar esse lindo relato e publico essa semana do aniversário do JP em homenagem à vitória dele nesse processo.

Vamos nos emocionar juntos?



"Hoje, a uma semana de seu aniversário, meu filho, me peguei revendo suas fotos de quando você veio ao mundo, tão pequenino, e frágil, e me vieram tantas lembranças.

Confesso que me deu um frio na barriga em lembrar de tudo que passamos desde sua chegada, mas ai, olhei para meu lado e vi sua foto à véspera de seu aniversário, e sinceramente, me parece que não vivi todos aqueles momentos de sufoco na UTI, (parece que faz tanto tempo!!) e de alguma forma, gostaria de deixar registrado os sentimentos que vem em minha mente neste momento.

Era um domingo de madrugada, e você estava lá, naquela barriguinha redondinha e discreta, e já não me deixava mais dormir. Eram por volta das 5h15 da manhã, fui ao banheiro, algo estranho aconteceu, e era muito volume de xixi (meio sonolenta, dei uma olhadinha na Lívia, sua irmãzinha, que estava à véspera de completar seus 2 aninhos), a cobri e voltei para a cama.

Do outro lado estava seu papai, (dia 25 de setembro, naquela data era o seu aniversário) dizendo para mim, está tudo bem? Meio confusa e sonolenta eu disse... o xixi não pára de sair, ihhh molhou a cama. (Essa confusão para mim não fazia sentido, pois quando estava grávida de sua irmãzinha, a bolsa não estourou, não sabia o que era isso.)

Seu papai me disse, será que a bolsa estourou e João Paulo irá nascer??



Aí acordei! Sim, acordei!! Porque o susto foi grande e dei razão a ele...- O que faremos? Está tão cedo para incomodar seus pais e deixar a Lívia, vamos juntos para o hospital!

E lá fomos nós, a malinha estava "quase pronta", mas pensei, foi só um susto, ficará tudo bem! Peguei 3 livros para passar o tempo (na minha cabeça, iriam me dar uma medicação para segurar o bebê e eu ficaria internada por um tempo até dar a hora certa para você nascer...

Chegamos ao hospital e apreensão (o líquido continuava descendo), precisávamos aguardar um pouco pois não havia um médico disponível no plantão, (fiquei mais preocupada!)

Lívia acordada no hospital conosco, e não entendendo nada do que estava acontecendo... o médico plantonista chegou e fez exame, SIM JP estava chegando!!

Mistura de emoção, alegria e muuuito, muito medo!

Me encaminharam para a enfermaria para prosseguir com exames e tomar uma injeção para amadurecimento do pulmão, e eu já estava muito preocupada como Lívia ficaria esses dias sem mim, afinal, minha companheirinha de todas as noites!

Meu esposo precisou me deixar um pouco sozinha, e lá fiquei (como boa capricornina, querendo cuidar de tudo, mas tentando relaxar e no Whatsapp avisando a todos que o churrasco em comemoração pelo aniversário do meu esposo havia sido cancelado.) Família e amigos avisados, mas eu ainda tensa! Não conseguia relaxar, mas a princípio somente líquido, sem dores!

Minha tia e meu tio chegaram (os considero muito e me passaram bastante calma), e ficaram um pouquinho comigo na enfermaria. Precisei passar por 3 ultras para averiguar o andamento do líquido, que estava diminuindo a cada ultra.

Passei essa noite no hospital, fui removida para o quarto, e meu esposo dormiu comigo lá. Quer dizer, não dormimos, pois comecei a sentir as dores das contrações.

Não sabia o que era isso! Lívia havia nascido de cesária, sem bolsa rota, e foi tudo muito tranquilo.

Olha, vou te dizer! Quer dor, mas que dorzinha chata! Pensa em uma dor de cólica dez vezes mais chata! Então, a sensação foi essa.

Começamos a contar os intervalos das contrações que só estavam diminuindo... Na manhã seguinte, outra ultra e a preocupação aumentava, não dava mais para esperar!

Meu obstetra chegaria de viagem e informaria os próximos passos, enquanto isso, rodízio de familiares no meu quarto, todos preocupados, mas tentavam me acalmar.

Eu no fundo, estava em PAZ, orava muito pedindo à Nossa Senhora para passar na frente e cuidar de nós. Estava com minha prima no quarto e o médico disse: vamos daqui a 20 minutos!

Nossa!!! Agora sim fiquei tensa. Parti para a sala de pré-cirurgia para preparação, mas cada minuto lá dentro me deixava mais tensa.

As enfermeiras não encontravam a minha veia e o tempo só passava... e eu pensando... Como está a Lívia? Sentindo minha falta? E o Rodrigo por onde está que não vem ficar comigo? Após alguns minutos de preparação, saio para a cirurgia cesária de emergência.

Passamos rapidamente pelo corredor e me informaram que meu esposo não poderia me acompanhar. Fiquei ainda mais preocupada. Mas fechava os olhos e só cantava para mim mesma: -Mãezinha do céu, eu não sei rezar, só sei dizer, que quero te amar!

Naquele momento só conseguia pensar nisso, na minha fé e na esperança de tudo dar certo, Tomei anestesia, e comecei a sentir muito, mas muito frio! bom sinal, que a anestesia pegou. E a pediatra não chegava, eu tensa! A Dra Simone Vieitas chegou na sala, pegou em minha mão e me deu um beijo, naquele momento senti a presença da minha mãezinha do céu, como se ela fosse uma "enviada" dela. Fizeram os procedimentos e João Paulo nasceu, rapidamente a Dra Simone mostrou seu rostinho para mim e saiu (e era a carinha da Lívia), mas o levaram de mim... chorei, chorei muito. Misto de alegria e preocupação, onde o levaram?

Concluíram a cirurgia, e passei pelo corredor, vi meus parentes pela portinha, mas não vi o João Paulo. Fui para o quarto e perguntei : cadê meu Filho?

Ainda anestesiada, meio sem saber o que aconteceria dali para frente. Minha tia, irmã e primas chegaram para me acariciar, e me distrair, e eu comecei a relaxar e dar muito sono.

Perguntei quando poderia ver meu filho, e me disseram. “Hoje não, talvez amanhã!” Meu mundo desabou! Tudo que uma mãe quer é acariciar seu rostinho e sentir seu cheiro, amamentar... e isso não aconteceu. Minha irmã dormiu comigo e me senti mais calma com sua presença.

Dia seguinte meu esposo chegou no quarto, disse que já tinha passado na UTI para ver JP. Eu ansiosa fiz uma série de perguntas mas me disseram, “Você ainda não pode descer, tem uma série de procedimentos e você precisará aguardar mais um pouco para vê-lo.”

Meu coração chorava por dentro, mas eu queria demonstrar para meu esposo que estava confiante e forte!

Chegou a hora! descemos. Conheci uma realidade que jamais esperava conhecer... a da UTI, entrei e logo perguntei, qual é o meu? E meus olhos foram para aquele bebê, pequeno, frágil, magrinho, perninhas tortinhas e todo furadinho. Era minúsculo... mas aí olhei para o lado e vi outros bebês, aparentemente em situação pior (rostinho tampado, luz azul em cima) e pensei, acho que JP está bem! Ficará bem!

Ele ainda não sabia mamar, e se alimentava pela sonda. Levei a bombinha elétrica e tentei retirar o leite, e nada... pouquinho de colostro somente, menos de 10 ml que coloquei na chuquinha e eles passariam pela sonda.


O amor de mãe que dá vida.

Não podíamos ficar o dia todo na UTI nem dormir lá. Pedi ao meu médico que me mantivesse no hospital para que eu pudesse ficar mais próxima dele (mesmo que em quartos separados, saberia que ele estava a alguns metros de mim). Não havia roupinhas que serviam nele, foi preciso comprar RN e PP, tarefa para a titia Luciene.

Agora novo desafio! Ele amadurecer seu pulmãozinho e aprender a sugar! Puxa, não foi fácil porque o leite não vinha e tivemos que dar complemento.

Cada mamada (sonda) era um desafio... será que seu estômago vai reagir bem? A cada mamada a expectativa da adaptação.

Olhava para meu esposo e ele me acalentava, sentia em seu olhar a segurança de que acontecesse o que acontecer, ele estaria ali comigo, e assim íamos passando os dias.

Subia para o quarto, descia para vê-lo, acariciava suas perninhas pela incubadora, cantava “mãezinha do céu” para ele e adquiri uma Fé enorme.

Aprendi muito aquele período de 7 dias que ficamos ali, a cada dia uma vitória, uma conquista. Ele abriu os olhinhos e me olhou!!! Nossa, que AMOR senti naquele momento. Conversava para ele ficar bem e se recuperar pois a irmãzinha estava em casa o esperando, e ele e ouvia e fechava os olhinhos. Agora eu já podia pegá-lo no colo, acariciá-lo e passar boas vibrações para ele. Confesso que conheci muitas mamães e histórias de luta, e aquilo me fortalecia. Sabia que Deus estava conosco o tempo todo.

Com 3 dias de UTI eu já não podia ficar mais no hospital e então, me liberaram para casa. Chegamos, eu ainda cheia de dores, e a casa vazia! Lívia não estava em casa, JP no hospital. Mais do que nunca meu esposo estava lá, cansado, mas confiante e cuidando de mim. Tive uma diarréia horrorosa na saída do hospital o que me deixou mais fraca, emagreci rápido (eu acho que foi emocional). Lívia voltou para casa, mas ela sentia muito minha ausência pois não podia pegá-la no colo, nem abaixar para brincar com ela. Ela sentiu, e mais uma vez meu coração de mãe doeu...

Família linda e reunida.

Deu o 7o dia, e fomos confiantes para o hospital pensando, hoje ele vem para casa! Ficamos lá na fé, fazendo plantão! Aguardamos o pediatra, cardiologista e especialistas para uma avaliação. Ele ainda tinha muitas dificuldades para mamar (muito lento), mas já estava na mamadeira (mamava 30 ml que iria aumentando gradativamente).

Foi preciso conversar com a fono, que me observou amamentando e ainda estava preocupada. Conversei e me comprometi a ser paciente para ensiná-lo a mamar e eles nos liberaram para casa!

Meu Deus! Que diz FELIZ!!! Nosso bebê iria finalmente para o seu lar. Vou te dizer que a partir daí não foram flores, muitos desafios, desde a amamentação até a adaptação com a irmãzinha também bebê. Mas para isso, precisamos de longas linhas e um novo post! :)". 

Fofura demais esse JP.


João Paulo no ensaio pré aniversário 1 ano.

Luciana Andrade, mãe da Lívia e do João Paulo

Mãe, empreendedora e Coach de Carreira

contatos: [email protected] / Tel: 24-99812-5567


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